E a Terra vai se despedindo do… terra.

Descobri a minha vida tecnológica nos anos 90… até então não tinha a menor aptidão pelo tema, também era tudo relativamente novo para todos: A internet engatinhava, o Windows 3.11 não era muito convidativo na época mas tinha joguinhos bem legais (pelo menos melhores que os do meu Mega Drive)… Por força de uma profissão que futuramente não iria seguir (a arquitetura), pouco tempo depois de conhecer o PC de meu irmão tive que adquirir minha primeira estação; Um AMD 586 com Windows 95 embarcado (sim, já não era o 3.11 e tinha alguns atrativos a mais) para trabalhar com aplicações CAD e cumprir os trabalhos curriculares que eram exigidos.

Nesta época já experimentávamos a algum tempo as conexões discadas, os famosos “winmodens” que nada mais eram que uma interface física que recebia uma emulação do próprio sistema para se conectar a rede mundial de computadores. Neste tempo tínhamos que ter um provedor de acesso que fazia a “conexão” entre a nossa estação e as demais da rede, e assim passei a assinar o terra para fazer esse trabalho. Com a assinatura recebíamos diversos outros produtos como um e-mail @terra.com.br, disco virtual, um microblog… O portal era bastante diversificado onde poderíamos encontrar bastante conteúdo e informações diversas sobre diversos assuntos, de autores renomados e apresentadores respeitados, e assim em pouco tempo se tornou minha “porta” de entrada para o mundo digital.

Captura de tela de 2017-06-29 09-02-32

Um tempo depois, o portal recebeu uma repaginada em seu visual, ganhando dinâmica (e peso) embarcados em um jeito novo a época de navegar por entre as noticias. Os tempos passaram, e mudaram… o acesso a internet se tornou mais dinâmico, rápido (com o advento da ADSL) e democrático, não havia mais a necessidade de um portal para acesso e as próprias operadoras telefônicas passaram a se encarregar disto, e assim decidi abandonar o serviço (na época a assinatura representava cerca de trinta por cento do valor da mensalidade da telefonia, que já dispunha do acesso… para mim parecia logico tal decisão) E migrei para outros serviços gratuitos disponíveis… sim o monopólio do Google já dava o ar de sua graça em terras tupiniquins.

Ainda o considero um portal diferenciado dos demais no que se diz respeito a navegação e impressão visual. Basta navegar por sua interface para perceber uma identidade pessoal que o diferencia dos demais até hoje… sim, até hoje. Digo isso pois o portal emitiu uma nota que encerraria suas operações gradativamente a partir de 30/06/2017. A noticia me pegou de surpresa, pois a algum tempo já não zapeava mais o portal e se quer me dei conta que a evolução repentina na forma de distribuir conteúdo que atingira em cheio até mesmo gigantes da época como o Yahoo, poderia alcançar portais menores como… o terra, e assim se fez.

O portal irá encerrar as suas operações inicialmente em sete Países: Argentina, Chile, Colômbia, México, Peru, Venezuela e Equador. A exceção por enquanto se deu ao Brasil  onde o portal cresceu, mas não se sabe ao certo até quando.

A marca Terra foi criada em 1999, na Espanha, pela Telefónica. Mas a história do portal está ligada diretamente a investimentos em tecnologia e conteúdo brasileiros. Por aqui o Terra foi ao ar em 2000, a partir da aquisição do portal ZAZ, que pertencia ao Grupo RBS, pela Telefónica. A partir da operação brasileira, a companhia espanhola começou um plano de expansão do Terra na América Latina que, após 17 anos, parece estar chegando ao fim.

Evoluir é bom, necessário e obrigatório… Mas o mesmo trás consequências de ambos os lados. A democratização da internet e seus meios de comunicação, gradativamente tirou o foco de grandes meios de difusão e lentamente o entregou ao seu próprio publico, passamos do estado de consumidores de conteúdo a criadores do mesmo. As novas redes sociais propiciavam todas as ferramentas que os portais dispunham, ao alcance de qualquer um disposto a preencher alguns poucos cadastros e concordar com algumas (mas não menos importante, para eles claro) clausulas. Em pouco tempo ganhamos ilustres personagens e com isso, formadores de opiniões. Noticias, produtos e opiniões já não eram vinculadas em veículos específicos, mas encontrados dentro das mesmas redes sociais que fazíamos parte onde antes só encontrávamos conteúdos criados e geridos por nós mesmos e amigos de círculos sociais, as conhecidas comunidades: esse me parecia o lado bom.

Mas com esse novo ambiente e a disseminação fácil da palavra, a veracidade de um assunto passou a trafegar por entre opiniões diversas e infelizmente… intenções diversas. É certo que fatos sensíveis atingiram de forma impactante um publico infinitamente superior de forma objetiva e construtiva nesses meios do que se estivesses expostas em um bloco frio, em baixo de um banner monstruoso publicitário qualquer. Mas também experimentamos boatos tomarem proporções catastróficas ao ponto de mudarem o rumo de vidas para sempre… tudo por culpa da dinâmica de um meio de comunicação entre massas, sem um mecanismo de distinção entre o verdadeiro e o errado.

É fato que as redes sociais colocaram o expectador a frente das câmeras, e isso é imutável… Cabe a nós adquirirmos a consciência e discernimento de que de certa forma somos nós a estar ditando o futuro, que cada palavra exposta atingira o nosso redor da mesma forma que uma noticia verificada atingia o publico de determinado meio de comunicação, e que elas produzirão as mais diversas reações, emoções e objetivos, de forma controlada ou não, de forma positiva ou não… assim como as lia em um portal, assim como as lia no terra por exemplo.

 

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